Monday, October 30, 2006

(...){...}

Neo-homem

Super
Das capitais
Ele voa comum
Escapando
Da realidade
Para a matéria comercial (...)
Não é feito de atitudes
Mas de instintos
(Espero que as flores tenham servido
Flores não são enfeite
Não são para o centro da sala
São para expectativa)
Neo-homem
A venda
Olhos supremos
De fogo
Queimados
Que julgam
e esquecem
justiça
tem que ter
boa memória
surge um novo homem
neo-homem
de vitrines
padrão
(disseram que isso evita a bagunça...)
Sua efígie num computador
E numa senha
Mostra o valor
Da modernidade
E os super poderes
De homens editados
(disseram pra eu ser mais egoísta
Mas ainda não concordo
Em comprar flores
E dizer que são presente!)
(abre parêntese
Fecha parêntese)
O que não serve:lixo é (?)
O que serve:agora só pra si (?)
Consigo
Eu contigo
Neo-homem
Não é assim
Coração serpentário
E de jardim
Neo-homem editado
O amor em sincretismo
E reprodução mínima
(pois hoje em dia
A noite é fria)
E quente
Não se deve correr riscos
Nem um diamante
Neo-homem-mulher-efetivado
O computador não reconhece poesia minha gente (gente flor)
Veja que o neo-homem o programou para corrigir meus erros
Gramaticais
Meus erros
Gramaticais
Não são erros poéticos
Ó máquina criada
Máquina não-criativa!
E o sinal-da-cruz ritualístico
Neo-homem simpático
A Deus e ao diabo
Acordos
Acordo não-acordado
Mais uma vez em seu terno estático
Define o futuro do ego hermético
(e a gente flor,acha isso patético)
Mas se o neo-homem
Quiser se poetar
As flores ainda estão aí...
Neo flores
A antigos românticos do eco poético...

Ana Clara Dias e Noites

{...]

A noite vinha soprando e o vento vinha cobrindo
E eu ia...
Os reflexos à noite...
E vinha tudo
Vinha o vinho e você via
De olhos cinza
Morrendo de luz
Cinza

Ò moço!
Eu espero por você... tenho o feito...com flores no cabelo...
Sou a mesma todos
Os dias
E às noites eu tento
Desfazer os nós que a vida traz... e faz...(sabe que na vida é a concorrência que mata...
Não quero
Morrer...se morrer vai ser de luz.
Para na visão pressentir.)

{às vezes os nós...
Somos
Nós
E você e eu}



Moço,não me culpe
Pela não-beleza quase perfeita
Que outros andam dizendo
E andam caindo
E caem matando
(e se for pra morrer que seja de luz)

Olha meu rosto
Minhas mãos
Moço,moço,moço...
E tenho envelhecido...
E as flores continuam as mesmas

(os ébrios sabem)

Eu sou uma amante de um amor,amado
Constante
Esperando novidade
(e a cada vez mais o amor é clichê)
E todo mundo já conservou
A mesma maneira

E o pronome é eu
E eu me refiro somente à você quando digo
Eu te amo...

E sou um quadro conhecido em outros países
E eu te amo
Enquanto você passa

Será que vou ter que fazer o que quero sem você me querer?
Ou será que são tão condicionais
Essas vidas de moços
Moço,
Que eu faço o que você quer
Para me querer?...
Isso, moço é desproporcional...
Eu tenho flores nos cabelos
E já decorei as cores dessa cidade
E da minha rotina
E da sua
Vida
Que passa na mesma hora
E se não passa pra mim
Passa em mim

( e os ébrios sabem disso e daquilo como ninguém
sofrem disso e daquilo como ninguém)

eu quero entender
e saber
se minhas impressões poéticas cabem nas suas expressões

e se um dia à noite seremos animais
e se no outro dia pela manhã
seremos borboletas..
na transparência infantil de dizer
como age
o tempo
e o gosto
em pessoalidade impessoal no nosso coletivo
de duas pessoas
coletivo de devoção
das borboletas matinais
alegrando os olhos
nossos
no espelho
do corpo um do outro

(e os ébrios imaginam isso muito...
Bem,
Ébrios com asas...
Anjos dependentes)


E que o moço de agora seja o de ontem que seja o de amanhã
Ainda que seja um não ser
Até ser realmente

(eu aceito o tempo...e o que faria minhas flores em cores preto e branco?)


Ainda amo as redundâncias
Amo a beleza dos seus belos olhos
Amo a pureza
Da pura verdade


E só me resta o último

(ébrios sentem isso...
Bem,
Bem...)

Moço.
Mais uma canção

(...
...)

(...)

Será dois
Dia dois
um
Aniversário
In memorian
Que
Virá
Porque
Foi
Novembro
Madrugada
1990
Dor
E vida
Aos que quiseram
E aos que não
Eu vim
Eu vou
Mais um
Dia dois
Dois
E um
Carne
Espírito
E tudo sente
Dia dois
Dos
Mortos
Almas
Eu nasci
Na morte
Novembro
Eu vivo de novo
Eu renasço
Na morte de outros
Na minha um dia e outros
E na celebração
Dos que se foram
E estão
Porque eu vou
Eu vou
Dois
Novembro
Mil novecentos e noventa anos para eu nascer
Nove meses
Um encontro
Dois dias de
Um mês
E estou
E vou
Um milênio
Novecentos
Anos
Noventa
Anos
E ouviu-se um choro de começo
Uma nova boca
Novas mãos
Entregues ao novo mundo velho
De 1990 anos
O meu dia é o dos mortos
Celebramos juntos nosso caminho
O meu vai
O deles vem
E nos cumprimentamos
E nos abraçamos
Compartilhando
Dias dos nossos tempos
Almas
Almas
Dia nosso
Dois de novembro de mil novecentos e noventa
Cheguei
E vou
2/11/1990
2
Dois
11
Onze
1990
Mil novecentos e noventa
Um signo
Um país
Um segredo
Uma cultura
Uma cidade
Um segundo
Para os que vivem (e morrem...e hão...)
Para os que morrem(e vivem...e não...)
Contagem regressiva
Progressiva
Agressiva
A morte neoconcretiza a vida
A vida é cordial e retribui
E meu dia é de muitos
O dos traídos
O dos traidores
O dos que fecharam os olhos
(ou morreram de olhos abertos)
E essa viva
Vive
Nos colocamos
Acima da terra pois
O pó
É pra antes e depois
Durante
Nos cabe céu
Dois
Novembro
Repete-se
1990 (repete-se?)
Reparte-se
À maneira de cada um
Que merece esse dia
Para morte ou para vida
Será
Aniversário
Mais mil novecentos e noventa anos
Dois dias
Onze meses
Desde que nasci
Pra afirmar
Que nada se copia tudo se neoconcretiza
Inclusive
Alegria
2/11/1990
(In memorian)
Primeira poesia.


Ana Clara

Thursday, October 19, 2006

...sexo all...

furto surto absorto
fruto mesmo em um morto
homem geme um animal escroto
sexo é pratica e o prazer o esgoto
desejo você e milhões de outros
porra sangue constato como se visse o gozo
arranho realizo bebo e nem pergunto como
você se sentiria se eu tentasse o oposto
posição é redenção para subir de posto
arte de saber sabendo mesmo o mesmo de tantos
é o mesmo hoje e amanhã lhe fodo
se deixar eu ir embora eu
me levo
e sofro...

Ana Clara Dias e Noites

...(mais um sem título já não mais acostumados)...

odeio silêncio...
silêncio de mente...
não só aquele de voz
mas aquele de matéria
um quarto silencioso
e sua cama intocada
silêncio é de propósito
é óbito
e eu odeio silêncio
disseram que eu serei silenciável quando descobrir que preciso de sálario
salário silêncio
um corpo imenso
o mundo em silêncio
em cônscio deleite
da vida alheia surda eu espero mais que nada
que nada é o silêncio
que é grito
em percepção falha...

Ana Clara Dias e Noites

Sunday, October 15, 2006

...(rasgando...)...

olhos de amantes
diamantes
fechando-se sob o véu da cor da carne
e do ardor
arriscando
sem riscar
seria a poética insana
o amor encena
o amor em cena
e amor não menos que toque
olhos de amantes
de quem se escolhe
dois
três
quatro
até ser um...
não importa o diamante
se os amantes
não amam como um.
(não amam em comum)
não olham incomum.

Ana Clara Dias e Noites

Saturday, October 14, 2006

Testamento colateral

Deixo ao mortífero carnaval fugitivo
Ritmo...
Um alto som de luxúria primitiva
Ministrado por gritos horrendos
De pavor e prazer
Que não apresentei em vida
E por isso ainda estão comigo...

Deixo aos olhos capazes ou não
Pilhas de palavras mortas
E recomendáveis à ressurreição
Escritas palavras

Deixo ecoando nos corpos ou não
Palavras que só podem ser adjetivadas
Como minhas
Deixo ecoando
Estão tão distantes que não vai parar...

Não deixo rimas em
Sonetos

Deixo minha auto intitulada quase vida
Minha auto intitulada quase poesia
Meu auto intitulado pensamento
Esperando que depois da morte alguém concorde
Com meu auto intitulado tormento

Deixo minhas lágrimas e sorrisos cheios de clichê
Deixo aos que me reconheceram sem me conhecer
Aos que cabe ler sem emergir
Aos que cabe escrever sem afundar
Aos que cabe morrer e realidade deixar
Aos que cabe nascer e o resto todos já não sabem mais o quê...

Deixo muitos papéis que podem ser queimados
Deixo meu corpo que pode ser achado
Deixo meus órgãos e veias
Sangue..Sangue...

Deixo tudo e nada mais
A quem interessar só resta em mim
Vir buscar...

Ana Clara Dias e Noites

eu não sei dar título vão se acostumando...(...)

por que será que não sei intitular nem amor nem meu poetar?
por que será que não sei intitular?...
será que eu já entendi que o amor é sentimento que não se pode nomear?
é o amor...de todos sempre livre é o amor...fugitivo de dicionários e correndo pra eles...é o amor...
miopia
miosótis
mira
mirabolante
miraculoso
miragem
mirante
é mirar...
miríade
mirífico
mirim...
vai um dia ser amor e vai mirrar...
(minidicionário ruth rocha página 410...)
Ana Clara Dias e Noites

...

(a meu nobre cavaleiro de madrugadas...)

Eu pensei em você...
E como todo pensamento é um breve susto
Isoladamente ainda estou sem fôlego
Eu conheci você...
E como toda sabedoria
é do mesmo tamanho
fruto de uns sentimentos que saem
(sem sentido)
Dos palácios
Dos barracos
Das imagens
De reflexos em poças d’água
Divinamente humana e
Fabulosamente divina
Eu ainda sei muito e é pouco
Eu ouvi você...
E então passei sem te cegar!....
(não existe um luto)
Pelas noites onde a Lua era
(muitas vezes beijada e adormecida)
Ainda assim iluminada
Ainda assim iluminava...
oito paredes que nos paralisavam e inspiravam
mais valores, caros valores

Eu tentei usar dez sentidos
Assentidos
Mesmo tempo
Mais realidade
Mas Alguém não se importou
Com a flor que se mata
-Como se pétala por pétala-
despedaçasse o instável
-Como se vértebra por vértebra-
exteriorizasse o invisível
no prefácio o disfarce é a fumaça
no no epitáfio o disfarce é a luminescência
faz parte das pessoas que criei com mãos que não são minhas
como você...
faz parte das pessoas que você criou com mãos que não são suas
como eu...
no infinito apesar do fim
o céu derrama e ama
as estrelas que escolhemos...
o resto se torna não mais que
um caminho de vitrines...
e nada mais...
nada...
além de tempo imperfeito. Ana Clara Dias e Noites

...

então eu lhe pedi pra ficar moço fica logo pra mim o moço quis descer as escadas e em brados retumbantes assemelhou-se ao meu medo daquilo ser realmente verdade verdade é só perder amor e ficar moendo com os dedos a metade do coração que deu inteiro vermelho de papel crepon então existe água pra molhar papel crepon existe água pra molhar qualquer amor e deixar os dedos coloridos com sangue de tinta de papel crepon e eu moço peço só pra você ficar e pegar o papel molhado e descolorido e meus dedos sangrando indústria e revolução sentimental e o que se foi foi só amor e metade de um coração inteiro de papel crepon.

Ana Clara Dias e Noites

Por dentro de Juiz de Fora

Juiz de Fora...
É um calçadão
Da Rua Halfeld
É o calçadão
Das pedras portuguesas
Dos homens dos homens
Das mulheres dos homens
Das mulheres das mulheres
Dos homens das mulheres
Dos hippies oportunos
Do teatro
Dos grandes e pequenos
Dos poetas bêbados
Dos bêbados poetas
É a Independência
Com roupas de pano e dinheiro
Com sapatos de salário de empregada... Os pobres aos seus pés...
E corre o Rio Branco
E morre o Paraibuna
Boys and girls
Vestidos de presente
De moda e intenção
Atenção!
É beleza do panorama...
É Santo Antônio casando cada puta da Marechal Floriano Peixoto...
Homens livres no CERESP
Presos em uma sigla sigilosa
É proibida!
É fama!
Velhos e mesas de xadrez...
É o faisão dourado voando...
Pousando no aeroporto...
Só pra quem paga.
Árvores.
Os semáforos.
É Santa Cruz abençoando quem não pode com o Senhor!
E eu passando por tudo isso.
Eu passando...
Pelos olhos que piscam...
Eu passando...
O futuro nos jesuítas entrando em forma na academia...
O passado nas vassouras dos serviçais...nas vassouras de família.
A verdade nas paredes caladas
Do universo...
Da idade...
Dos prédios...
Dos reais...
Calouros e trotes...
Formandos...
Mendigos...
É privilégio primitivo na cidade!
Mais uma vez...
É o dia
É o ano
É a vida...
Juiz de Fora e eu...
passando...

Ana Clara Dias e Noites

Ana Clara...fluindo...

Posso ver essa menina
Essa pequenina
Fora e dentro dela...
Dentro e fora de mim...
Posso tocá-la doce e sensualmente
Posso entregá-la espontaneamente
Posso vivê-la momentaneamente
E esperá-la eternamente, enfim...

Nem preciso de revista de moda
Nem preciso de espelho ou padrão
Para saber que essa menina incomoda
Porque um olho diz sim e o outro não
Porque a beleza dela está do outro lado
Do que se refere à superfície e à razão...

Essa Ana Clara que se tornou minha musa
Pois outros já a tomaram como intrusa
Em uma vida que não era justa
Com essa clara luz difusa
Essa Lua augusta, Ana Clara.

Ana palindrômica,escura, noturna
Astral,maior que sua pele
Menor do que qualquer palavra
Do mesmo tamanho do pensamento que à ela se refere
Pensamento infinito e soturno

Clara,adjetivo
Do nome da moça pura e meretriz
De olhos longos e furtivos
De pés livres e obsessivos
Olhos e pés que seguem o traço
Da obra da Filha do espaço
Entre o passado e o futuro da aprendiz...
Ana Clara
A esse literal composto
Ninguém se declarou disposto
A especulá-lo sem recuar
A não ser a própria moça ambígua
Que enquanto o outro extremo dormia
Deixou seu espetacular espectro
Fluir em subversão honrosa
Falar aquela língua
Da figura imaginante e preciosa
Que deixa a vida vazar
Por entre dedos de poesia
Insana e rara...
Ana Clara!


Ana Clara Dias e Noites